GHI - Índice Global da Fome |
21 de outubro de 2010
Quase um bilhão de pessoas não têm o que comer no Dia Mundial da Alimentação -16 de outubro de 2010
FOME NO MUNDO - Índice Global da Fome - GHI
É um relatório emitido pelo Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFRPRI - sigla em inglês), emitido em 16 de outubro de 2010. A pesquisa, intitulada Índice Global da Fome 2010, mostra que a fome se revela principalmente por meio da desnutrição infantil - quase a metade dos afetados são crianças. Os níveis mais altos se encontram na África Subsaariana e no sul da Ásia.
Indicadores para obtenção do Índice Global da Fome - GHI
 GHI - Índice Global da Fome 2010
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Três fatores são utilizados para calcular o Índice Global de Fome (GHI - sigla em inglês). A desnutrição infantil corresponde a quase metade do cálculo do Índice Global da Fome. Outros indicadores contabilizados nessa metodologia são a mortalidade de crianças abaixo de cinco anos e a proporção das pessoas subnutridas em relação à população em geral. A combinação dos três componentes forma o conceito de "fome" considerado pela pesquisa, além de permitir o cálculo do índice para cada país.
A escala do índice GHI
O índice situa os países numa escala de 100 pontos, sendo zero a melhor pontuação - sem fome - e 100 a pior, apesar de nenhum desses dois extremos ser alcançado na prática. Uma pontuação maior que 20 revela níveis alarmantes de fome num país, e mais de 30 é "extremadamente alarmante".
Quase 1 bilhão de pessoas passando fome
Em todo o mundo, 925 milhões de pessoas vão passar este dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, sem ter o que comer. O número é equivalente às populações somadas dos Estados Unidos (300 milhões), do Brasil (190 milhões), do Japão (130 milhões), da Alemanha (82 milhões), da França (63 milhões), do Reino Unido (60 milhões), da Itália (58 milhões) e da Espanha (40 milhões). Dos 122 países incluídos no estudo, 25 têm níveis considerados "alarmantes" de fome, e quatro nações da África registram números "extremamente alarmantes", destaca o relatório.
Desnutrição Infantil
Segundo o Instituto, a persistência da fome no mundo está muito ligada à
desnutrição infantil, que se concentra em algumas regiões. Mais de 90% das
crianças com peso abaixo da média estão na África e na Ásia. A desnutrição infantil
corresponde a quase metade do cálculo do Índice Global da Fome.
Continente africano o mais castigado
Dos 29 países pior posicionados no Índice Geral de Fome do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFRPRI, na sigla em inglês), 21 estão no Continente Africano. De cada três pessoas que vivem na Região Subsaariana, uma está desnutrida. Quatro nações, todas da África, estão no estágio mais preocupante, chamado de "extremamente alarmante": Burundi, Chade, Eritreia e República Democrática do Congo. Além dos quatro países que mais preocupam, 25 vivem situação definida como "alarmante". A maioria, novamente, é da África: Tanzânia, Sudão, Zimbabwe, Burkina Faso, Togo, Guiné Bissau, Ruanda, Djibuti, Moçambique, Libéria, Zâmbia, Níger, República Centro-Africana, Madagascar, Ilhas Comores, Serra Leoa e a Etiópia.
A pior situação - República Democrática do Congo - RDC
A República Democrática do Congo (RDC) é o país em pior situação, com 75% da população subalimentada. A RDC se situou entre os quatro países - junto com Burundi, Eritreia e Chade - com níveis "extremadamente alarmantes" de fome, e é o único país que superou os 40 pontos. A RDC também tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo, revela o documento. "Um prolongado conflito iniciado no fim dos anos 90 levou ao colapso econômico, ao deslocamento em massa de pessoas e a um estado crônico de insegurança alimentar na RDC". Em Burundi e em Madagascar, metade das crianças têm problemas no seu desenvolvimento físico por falta de uma dieta adequada.
As causas:
Nesse subcontinente, fatores como conflitos armados, instabilidade política e ausência do poder público agravam a fome. No sul da Ásia, por outro lado, houve melhoras, mas a situação das mulheres - fraca em termos sociais, educacionais e nutricionais - piora o quadro de desnutrição das crianças até cinco anos.
Moçambique
A Cruz Vermelha de Moçambique monitora a situação e ajuda no que é possível. Dos 15 mil moradores de Pessene, cerca de 10 mil passam fome e recebem apoio do Programa Mundial da Alimentação das Nações Unidas, mas mesmo assim, o reforço alimentar está garantido apenas para os portadores do vírus da aids e para as crianças.
Há esperança de melhora
Os dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), pela primeira vez em 15 anos, indicam uma melhora no quadro geral da fome no mundo. Em 2009, 1,023 bilhão de pessoas eram consideradas famintas, 9,6% mais do que este ano. Uma das causas para a redução é a queda dos preços dos alimentos nos mercados internacionais e nacionais iniciada em 2008.
Possíveis soluções
Para a FAO, a produção mundial de alimentos precisa aumentar 70% para alimentar a população que o mundo terá em 2050, estimada em 9 bilhões de pessoas. Os governos devem investir mais na agricultura, expandir redes de segurança e programas de assistência social, reforçar atividades que geram renda para as áreas rurais e urbanas mais pobres e criar mecanismos adequados para lidar com situações de crise e proteger as populações mais vulneráveis.
Brasil - Fome diminui, mas cresce no mundo
Segundo o estudo, o Brasil passou de um índice "moderado" de fome em 1990 para
"baixo" em 2010. O Instituto ressalta que o país procura combater a desnutrição
infantil (o percentual de crianças abaixo do peso caiu de 37% em 1974-75 para 7%
em 2006-07) e se beneficia dos maiores gastos sociais e, mais recentemente, do
crescimento econômico. "De 1996 a 2007, grande parte da melhora na nutrição
infantil deveu-se à maior escolaridade materna, maior renda familiar, avanços na
saúde materna e infantil, e uma melhor cobertura de abastecimento de água e
saneamento", diz o relatório do estudo. O texto cita o Bolsa Família como um
"programa de redução da pobreza bem-sucedido", que colaborou para que o nível
nutricional das crianças pobres se aproximasse dos das crianças mais ricas.
Brasil - Fatores que contribuiram para melhorar o índice
A maior participação da sociedade civil na elaboração de políticas públicas para alimentação e diminuição da pobreza são fatores que fazem com que o Brasil tenha motivos para comemorar o Dia Mundial da Alimentação, de acordo com a conselheira do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Elisabetta Recini.
Entre 1995 e 2008, a pobreza absoluta (rendimento médio domiciliar per capita até meio salário mínimo mensal) caiu 33,6% no país, o que significa que 12,8 milhões de pessoas aumentaram seu rendimento. No mesmo período, 13,1 milhões de brasileiros superaram pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo mensal), diminuindo em 49,8% a quantidade de pessoas nessa condição. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Como conquista na área neste ano, a conselheira citou a aprovação da Emenda Constitucional 64, que inclui a alimentação entre os direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal e a assinatura da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Este documento define estratégias para assegurar a alimentação adequada e saudável em todo o país.
Brasil - US$ 315 milhões de ajuda para o mundo
Segundo o coordenador de ações internacionais de combate à Fome do Itamaraty, Milton Rondó Filho, o Haiti é o país que mais recebe recursos do governo brasileiro destinado à ajuda humanitária internacional. Só este ano foram destinados US$ 265 milhões para os haitianos, enquanto todos os outros países que receberam ajuda brasileira receberam US$ 50 milhões.
América Latina
No continente americano, a Bolívia, a Guatemala e o Haiti têm os piores índices em relação à
falta de alimentos. O documento classifica de "moderada" a fome no resto da América Central, com a exceção da Costa Rica. Também é "moderada" a situação na maioria da América do Sul - já no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile há níveis baixos de desnutrição.
Glossário: Segurança Alimentar, Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Segurança Alimentar (FAO), um ser humano passa fome quando consome menos de 1.800 quilocalorias por dia, o mínimo para levar uma vida saudável e produtiva.
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